24 janeiro, 2015

O GATO E A ESPIRITUALIDADE

Quem não se relaciona bem com o próprio inconsciente não topa o gato. Ele aparece, então, como ameaça, porque representa essa relação precária do homem com o (próprio) mistério. O gato não se relaciona com a aparência do homem. Ele vê além, por dentro e pelo avesso. Relaciona-se com a essência. Se o gesto de carinho é medroso ou substitui inaceitáveis (mas existentes) impulsos secretos de agressão, o gato sabe. E se defende do afago. 

A relação dele é com o que está oculto, guardado e nem nós queremos, sabemos ou podemos ver. Por isso, quando surge nele um ato de entrega, de subida no colo ou manifestação de afeto, é algo muito verdadeiro, que não pode ser desdenhado. É um gesto de confiança que honra quem o recebe, pois significa um julgamento. O homem não sabe ver o gato, mas o gato sabe ver o homem. Se há desarmonia real ou latente, o gato sente. Se há solidão, ele sabe e atenua como pode, ele que enfrenta a própria solidão de maneira muito mais valente que nós. Nada diz, não reclama. Afasta-se. 




Quem não o sabe "ler" pensa que "ele" não está ali. Presente ou ausente, ele ensina e manifesta algo. Perto ou longe, olhando ou fingindo não ver, ele está comunicando códigos que nem sempre (ou quase nunca) sabemos traduzir. O gato vê mais e vê dentro e além de nós. Relaciona-se com fluídos, auras, fantasmas amigos e opressores. O gato é médium, bruxo, alquimista e parapsicólogo. É uma chance de meditação permanente a nosso lado, a ensinar paciência, atenção, silêncio e mistério. 

O gato é um monge silencioso, meditativo e sábio monge, a nos devolver as perguntas medrosas esperando que encontremos o caminho na sua busca, em vez de o querer preparado, já conhecido e trilhado. O gato sempre responde com uma nova questão, remetendo-nos à pesquisa permanente do real, à busca incessante, à certeza de que cada segundo contém a possibilidade de criatividade e de novas inter-relações, infinitas, entre as coisas. 

O gato é uma lição diária de afeto verdadeiro e fiel. Suas manifestações são íntimas e profundas. Exigem recolhimento, entrega, atenção. Desatentos não agradam os gatos. Bulhosos os irritam. Tudo o que precise de promoção ou explicação quer afirmação. Vive do verdadeiro e não se ilude com aparências. Ninguém em toda natureza aprendeu a bastar-se (até na higiene) a si mesmo como o gato! Lição de sono e de musculação, o gato nos ensina todas as posições de respiração ioga. Ensina a dormir com entrega total e diluição recuperante no Cosmos. Ensina a espreguiçar-se com a massagem mais completa em todos os músculos, preparando-os para a ação imediata. Se os preparadores físicos aprendessem o aquecimento do gato, os jogadores reservas não levariam tanto tempo (quase 15 minutos) se aquecendo para entrar em campo. 

Nietzsche, senhor da serenidade aqui em casa
O gato sai do sono para o máximo de ação, tensão e elasticidade num segundo. Conhece o desempenho preciso e milimétrico de cada parte do seu corpo, a qual ama e preserva como a um templo. Lição de saúde sexual e sensualidade. Lição de envolvimento amoroso com dedicação integral de vários dias. Lição de organização familiar e de definição de espaço próprio e território pessoal. Lição de anatomia, equilíbrio, desempenho muscular. Lição de salto. Lição de silêncio. Lição de descanso. Lição de introversão. Lição de contato com o mistério, com o escuro, com a sombra. Lição de religiosidade sem ícones. Lição de alimentação e requinte. Lição de bom gosto e senso de oportunidade. Lição de vida, enfim, a mais completa, diária, silenciosa, educada, sem cobranças, sem veemências, sem exigências. 

O gato é uma chance de interiorização e sabedoria, posta pelo mistério à disposição do homem." O gato é um animal que tem muito quartzo na glândula pineal, é portanto um transmutador de energia e um animal útil para cura, pois capta a energia ruim do ambiente e transforma em energia boa, -- normalmente onde o gato deita com frequência, significa que não tem boa energia-- caso o animal comece a deitar em alguma parte de nosso corpo de forma insistente, é sinal de que aquele órgão ou membro está doente ou prestes a adoecer, pois o bicho já percebeu a energia ruim no referido órgão e então ele escolhe deitar nesta parte do corpo para limpar a energia ruim que tem ali. Observe que do mesmo jeito que o gato deita em determinado lugar, ele sai de repente, poi ele sente que já limpou a energia do local e não precisa mais dele. O amor do gato pelo dono é de desapego, pois enquanto precisa ele está por perto, quando não, ele se a afasta. 


No Egito dos faraós, o gato era adorado na figura da deusa Bastet, representada comumente com corpo de mulher e cabeça de gata. Esta bela deusa era o símbolo da luz, do calor e da energia. Era também o símbolo da lua, e acreditava-se que tinha o poder de fertilizar a terra e os homens, curar doenças e conduzir as almas dos mortos. Nesta época, os gatos eram considerados guardiões do outro mundo, e eram comuns em muitos amuletos. "O gato imortal existe, em algum mundo intermediário entre a vida e a morte, observando e esperando, passivo até o momento em que o espírito humano se torna livre. Então, e somente então, ele irá liderar a alma até seu repouso final."
 

Fonte: The Mythology Of Cats, Gerald & Loretta Hausmano.

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20 janeiro, 2015

“HOMO ERECTUS”: QUANDO UMA CIDADE DO INTERIOR DA BAHIA SOFREU COM EPIDEMIA DE PRIAPISMO

Por mais inusitadas que possam ser as descobertas resultantes da busca pelo saber científico, o médico baiano Pirajá da Silva (1873-1961), descobridor da esquistossomose no início do Século 20, não imaginava que participaria de outra descoberta, no mínimo folclórica, no sertão da Bahia.

Em 1906, o farmacêutico da cidade de Serrinha (a 158 km de Salvador), Leobino Cardoso Ribeiro, foi chamado pelo proprietário da fazenda Malhadas, Ricardo Carneiro, que ficava a três léguas do município, para tentar descobrir o porquê de tanto homens e animais terem sidos acometidos por ereções repentinas naquela localidade.

Ao fim da sua investigação, o farmacêutico concluiu que todos os moradores daquela zona rural sofriam de priapismo, doença que tem como principal sintoma a ereção permanente do pênis. O nome da moléstia vem do deus Príapo, da mitologia grega, conhecido como o deus da fertilidade. A imagem dele é representada por um homem com um pênis exageradamente grande e sempre ereto.

Príapo, deus da fertilidade

Homens que sofrem com impotência sexual ou se sintam insatisfeitos com seu desempenho na hora do sexo, podem achar estranho classificar tal condição de enfermidade. Mas as reações do priapismo podem ser bastante danosas, a exemplo da dor sentida no pênis enquanto for mantida a ereção - que dura em média 4 horas. Apesar da ausência de estímulo físico e psicológico, o órgão não retorna ao estado de flacidez e a consequência pode ser a impotência sexual definitiva.

Livro de anotações - O registro da passagem histórica foi feito pelo também médico e biógrafo de Pirajá da Silva, Edgar de Cerqueira Falcão no livro: Pirajá da Silva o Incontestável Descobridor do Schistosoma Mansoni, lançado em 2008 pelo Ministério da Saúde em homenagem ao centenário do célebre pesquisador baiano, que registrara as conclusões do farmacêutico em seu livro de anotações médicas e concluiu que;

- A origem de tal enfermidade surgiu de um tanque cuja água se servia pessoas e animais do lugar;


- As propriedades excitantes da água advinham de uns insetos semelhantes a besouros que infestaram a localidade e pousavam na superfície da água.


As provas foram evidenciadas porque somente as pessoas e até o próprio gado, que se servia da água maravilhosa, após sofrer do mal, não mais procurou o tanque.


O Fim da epidemia veio com a seca do tanque e, consequentemente, o desaparecimento dos insetos. Com isso, por terem deixado de fazer uso da água, não houve mais relatos da moléstia.


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13 dezembro, 2014

SHOW DE ROCK ARRECADA DOAÇÕES PARA CRIANÇAS COM HIV

Evento reúne as bandas Circo de Marvin, Os Informais e Ex-29

Fortalecer o Rock baiano com ação social é o objetivo do projeto Rock Solidário, que visa arrecadar alimentos para crianças portadoras do HIV durante um show beneficente realizado domingo (14) às 17h, no Largo Tereza Batista, Pelourinho.

Organizado pelo grupo Coletivo Cultural Rock Difusão, o projeto chega a sua 2ª edição com a participação das bandas Circo de Marvin, Os Informais e Ex-29.

Para curtir o som, basta levar 2 kg de alimentos não perecíveis ou doar R$ 5. A expectativa é de arrecadar 1 tonelada de alimentos e superar a edição anterior.
Todas as doações serão repassadas integralmente à Instituição Beneficente Conceição Macedo (IBCM) creche escola, que cuida de crianças portadoras do vírus. 




O projeto também pretende ser uma importante ferramenta para fomentar o intercambio de produtores, técnicos, agentes culturais, músicos e musicistas com o público em geral. Além de despertar a importância do exercício da solidariedade. 

Onde? Largo Tereza Batista, Pelourinho.
Quando? 14 de dezembro de 2014 (domingo)
Quem? Circo de Marvin, Os Informais e Ex-29.
Horário? 17h
Entrada: Mediante a doação de 2 Kg de alimentos não perecíveis ou R$ 5,00 que serão utilizados na compra de leite em pó.


Contatos;
Diego Aires
(71) 9110-8015
/ coletivorockdifusao@gmail.com

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13 outubro, 2013

PARQUE TECNOLÓGICO ABRIGARÁ CENTRO DE TECNOLOGIA EM ENERGIA E CAMPOS MADUROS

Centro terá cinco andares com 15 laboratórios, cinco núcleos e mais de 15 grupos de pesquisa 

Até a entrega da segunda parte do Parque Tecnológico da Bahia - prevista para dezembro de 2014 - muitos empreendimentos ainda devem chegar ao local. Um dos maiores é o Centro de Tecnologia em Energia e Campos Maduros, parceria entre a Universidade Federal da Bahia (Ufba) e a Petrobras. O Centro irá ocupar uma área de 5,8 mil metros quadrados onde será construído um prédio com cinco andares. Na área, estarão distribuídos 15 laboratórios para atender a cinco núcleos e mais de 15 grupos de pesquisa. 

Nas futuras instalações do Centro estão previstos os Núcleos de Recuperação Especial de Petróleo (Nuresp), de Ensaios Orgânicos e Inorgânicos (Neoi), de Simulação, de Facilidades Administrativas e de Metrologia (com a participação do Instituto Baiano de Metrologia e Qualidade - Ibametro) e um Núcleo de Simulação, além de dois laboratórios de preparação de amostra petrofísica. 

A obra está sendo executada pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação da Bahia (Secti) e tem orçamento de R$ 25 milhões. O projeto executivo ficará pronto em seis meses, depois, será submetido à avaliação da Agência Nacional de Petróleo (ANP). Após estas etapas, o Centro será equipado para funcionamento. 

De acordo com a coordenadora do Núcleo de Inovação Tecnológica da Ufba (NIT),  que também coordena o projeto, Cristina Maria Quintella, no Brasil, a maioria dos campos maduros de petróleo está localizado nas bacias do Recôncavo. No nordeste, em particular na Bahia, todos os campos da Bacia do Recôncavo são maduros, o que justifica a construção do Centro no estado. “O Centro também irá contribuir com grandes e pequenas empresas que necessitam desse tipo de serviço, mas não têm condições de comprar equipamentos que custam entre R$ 200 a R$ 500 mil, além de atender a alunos de pós graduação e toda a atividade de pesquisa e extensão da Ufba”, explica Quintella.

O empreendimento pretende ser o principal instrumento de atração de pesquisa de ponta para o estado. Ainda será abrigado um consórcio de incubadoras e empresas de base tecnológica na Bahia e representará também um centro de convergência do sistema estadual de inovação no estado, nas esferas pública, acadêmica e empresarial. 

Para o geólogo e ex-gerente da Unidade de Exploração e Produção da Petrobras, Antonio Rivas, o objetivo do Centro é atrair empresas de tecnologia que desenvolvam pesquisas e também incubar novas, para a produção de equipamentos, bens e serviços com alto valor agregado. “Há interesse do Estado em incentivar o desenvolvimento de tecnologias aplicadas à melhoria de recuperação do petróleo existente nestes campos, daí surge o convite para a Petrobras participar do projeto através de aporte financeiro, que permitirá construir laboratórios especializados, a serem operados pelos pesquisadores da Ufba e de outras instituições de ensino superior com pesquisas nesta área”, explica Rivas. Atualmente, os estudos sobre energias limpas, renováveis, bioenergia, biocombustíveis e áreas correlatas são temas de 56 grupos de pesquisa na Bahia que contam com 321 doutores e 119 mestres.

Recuperação de campos maduros

Os campos de petróleo que são definidos como maduros são aqueles cujo pico de produção já foi alcançado. Dessa forma, tais campos já se encontram na fase do declínio da produção, ou seja, a produção será cada vez menor, até que atinja uma vazão que não mais justifique a operação econômica do campo. 

De acordo com o geólogo e ex-gerente da Unidade de Exploração e Produção da Petrobras, Antonio Rivas, na Bahia, existem cerca de 100 campos de produção de petróleo e gás, incluindo o mais antigo do Brasil em atividade, o Campo de Candeias, que completou 71 anos em dezembro do ano passado. “A recuperação de campos maduros significa exatamente a aplicação de técnicas - existentes e a serem desenvolvidas - que permitam a extensão deste período, após o pico de produção ter sido alcançado, o que aumenta o fator de recuperação e, portanto, permite recuperar um maior volume de petróleo existente, melhorando, consequentemente, o aproveitamento das reservas e o resultado econômico dos campos”, completa. 

A vida econômica de um campo de petróleo é longa e a boa prática indica a utilização de tecnologias aplicadas para que um maior volume do líquido seja recuperado. “Naturalmente, sempre considerando as premissas de resultado econômico, as quais têm sido favoráveis, na medida em que o preço do barril tem oscilado em torno dos 110 a 115 dólares, suportando investimentos consideráveis na revitalização de campos maduros, o que traz benefícios para toda cadeia produtiva e para a sociedade”, esclarece Rivas.

Águas profundas - Desde julho de 2012 atuando como assessor especial da Secretaria do Planejamento do Estado da Bahia (Seplan), Antonio Rivas não vê conflito entre a iniciativa do Governo da Bahia com a criação do Centro Tecnológico e o foco da Petrobras em águas profundas, principal área de atuação da empresa brasileira. Segundo ele, a Petrobras mantém o interesse em continuar operando os campos maduros, haja vista o significativo volume de investimentos anuais na área de Exploração e Produção na Bahia, que tem registrado valores da ordem de 1,3 a 1,5 bilhões de reais, nos últimos anos. “Isso tem permitido a revitalização destes campos, com identificação de novas oportunidades e implantação de vários projetos de recuperação secundária, de reexploração de novos blocos e reservatórios em campos maduros”, justifica.

Campo mais antigo do Brasil volta a jorrar petróleo 

Na Bahia, foi descoberto o primeiro campo de petróleo do Brasil em 1939 no bairro do Lobato, em Salvador. O poço se encontra desativado desde o final da década de 1980. Tal pioneirismo rendeu ao estado a sede da segunda maior refinaria do País: Landulfo Alves e do maior complexo integrado petroquímico do Hemisfério Sul, localizado no município de Camaçari. 

Mas o mais maduro dos campos voltou a jorrar o mesmo líquido negro que pôs em xeque a credibilidade dos engenheiros americanos que vieram ao País no final da década de 1930 e atestaram que em nossas terras não havia petróleo.

Em janeiro deste ano, durante uma obra de ampliação da casa onde mora Tereza Barbosa, 57 anos, o pedreiro Edvaldo Silva, 24 anos, descobriu um poço de petróleo depois de perfurar uma tubulação que estava embaixo da terra.

Após entrar em contato com ANP veio a frustração de Tereza: engenheiros da Agência estiveram no terreno e confirmam a presença de petróleo, mas a única coisa que será feita no local é a contenção do vazamento, já que poço é considerado  antieconômico e não desperta interesses comerciais, não existindo nenhuma possibilidade de produção.

Momentos de euforia em épocas distintas: Getúlio Vargas (1950) dona Tereza (2013) Fotos - arquivo Petrobras e Romildo de Jesus
Localizado no subúrbio ferroviário, o bairro do Lobato é um bairro pobre. Ruas sem asfalto, casas faltando reboco e lixo espalhado evidenciam a ausência do poder público no local, que no passado recebeu o então presidente Getúlio Vargas para ver de perto o jato do “ouro negro” e dar início a campanha “O petróleo é nosso” no País. Hoje, onde funcionava o antigo poço foi construída uma praça e um monumento que indica o marco histórico do petróleo no país.

07 agosto, 2012

ANA RITA TAVARES VISITA FEIRAS DE ADOÇÃO DE ANIMAIS

Feiras na Pituba, Imbuí e Barra recebem a Advogada dos Animais

A candidata à vereadora pelo PV, a advogada Ana Rita Tavares, visitou três feiras de adoção de animais no final de semana. No sábado (4) pela manhã, ela esteve na feira promovida pela Associação Brasileira Protetora dos Animais-seção Bahia (ABPA-BA), na Pituba. À tarde, foi a vez da feira do Imbuí, organizada pelo Instituto Cuidar é o Bicho e no domingo, o encontro foi com a União de Proteção Animal de Salvador (Upas), que realizou uma feira no Farol da Barra. 

Jovens demonstram mais sensibilidade com os animais postos para adoção
Na Pituba, Ana Rita foi recebida por integrantes da ONG, simpatizantes e moradores do bairro, que foram até a Praça Ana Lúcia Magalhães para adotar um cão ou um gato resgatado das ruas.

Feira da Upas já é tradicional no Farol da Barra
A feira organizada pela ABPA acontece todo sábado há 3 anos e já disponibilizou para adoção centenas de animais carentes de amor e carinho. “Ana Rita é a legítima representante da causa animal na Bahia e não só a ABPA, mas todas as ONGs de defesa dos animais a apoiam nesta eleição”, diz a presidente da ABPA Patruska Barreiros. 

Ana Rita Tavares fez corpo a corpo nas três feiras de adoção animal do fim de semana
A candidata do PV distribuiu santinhos e conversou sobre as suas propostas, entre elas, as indicações ao Executivo para a criação de um hospital público veterinário; um sistema de castração móvel para cães e gatos - Castramóvel; e a Central de adoção de animais de rua. “Temos que ter uma representante que faça pelos animais na Câmara”, defende a Analista Judiciária Cristiana Rocha.
Carlos Ferrer acredita que Ana Rita terá uma eleição surpreendente
No Imbuí, bairro em que os gatos são os mais procurados para adoção, Ana Rita foi cumprimentada por moradores locais, que ainda relembram a ação movida pela advogada em 2011 contra o Condomínio Morada do Parque pela morte de 15 gatos por envenenamento. “A presença de Ana Rita Tavares nas feiras de adoção tem sido útil para mostrar à parcela da população que ainda não tomou conhecimento de sua candidatura à Câmara Municipal de Salvador. E a repercussão tem sido muito bem aceita por defensores de animais e simpáticos à causa,” relata o presidente da Federação Baiana das Entidades Ambientalistas Defensoras dos Animais (Febadan) Carlos Ferrer.

No domingo à tarde, Ana Rita recebeu amigos para um bate papo que discutiu suas propostas no Comitê de Campanha na Graça.

01 agosto, 2012

POR UMA CULTURA AMBIENTAL: ANA RITA TAVARES INAUGURA COMITÊ

ONGs de proteção animal se reúnem em torno da "Advogada dos Animais"

Depoimentos emocionados e demonstrações de apoio marcaram a inauguração do Comitê de Campanha da candidata à vereadora pelo Partido Verde (PV) Ana Rita Tavares, terça-feira (31), no bairro da Graça, em Salvador.

O lançamento da campanha, cujo slogan é “Por uma Cultura Ambiental”, contou com a participação de simpáticos à causa, dirigentes do PV e integrantes de diversas ONGs de proteção aos animais de Salvador.

Ana Rita Tavares, denominada pela imprensa a "Advogada dos Animais"
 Célia Sacramento, candidata à vice-prefeita com ACM Neto, esclareceu o motivo da polêmica coligação entre PV e DEM e os 43 pontos acordados para que a parceria fosse firmada. Durante o seu discurso, Célia prometeu atenção especial aos direitos dos animais. “A coligação que firmamos não foi com Neto nem com o DEM, e sim com os 43 pontos em defesa da cidade e do meio ambiente. O povo de Salvador está entendendo o nosso projeto, essa é a hora da mudança e os animais estão dentro desse projeto. Se não tivermos uma atenção especial com os animais, eles serão exterminados”, alertou.

Diante dos representantes das ONGs, Célia se comprometeu com a causa animal
O presidente estadual do PV, Ivanilson Gomes, espera que a candidata Ana Rita seja uma das mais bem votadas do partido, e a comparou com o deputado estadual pelo PV de São Paulo, Padre Afonso, importante lutador pelos direitos dos animais. “Sem dúvida essa campanha de Ana Rita será uma das mais expressivas do nosso partido. E, caso seja eleita, almejamos ela como líder na Câmara e, quem sabe, presidente”, profetizou Gomes.

Centenas de apoiadores estiveram presentes
O recém-empossado presidente da Federação Baiana de Entidades Ambientalistas Defensora dos Animais (Febadan), Carlos Ferrer “Carlão”, falou em nome da entidade e prometeu apoio à campanha de Ana Rita Tavares. Carlão desmistificou a imagem de que o movimento animal é composto apenas por mulheres, citando a participação efetiva do presidente da Subcomissão de Proteção dos Direitos dos Animais, Márcio Vinhas Barretto, além de outros advogados e jornalistas presentes ao evento.

Dirigentes do PV acreditam em uma eleição entre as mais votadas do partido
A presidente da ONG Célula Mãe, Janaína Rios, convocou o apoio de cada integrante da causa animal a Ana Rita Tavares, cobrando de Célia Sacramento políticas públicas para os animais, caso seja eleita. “Nós não vemos seres humanos apodrecendo em vias públicas; existe um Samu, um HGE. Os animais só contam com a boa ação dos protetores que, como Ana Rita, se dedicam incondicionalmente a eles; dão tudo que tem: tempo, dinheiro e amor por esses seres inocentes”.

O discurso emotivo proferido por Ana Rita causou comoção entre os protetores
Após muitos depoimentos emocionantes, Ana Rita Tavares, emocionada, falou aos presentes: “Sinto aqui uma força muito grande. Todas as ONGs estão representadas esta noite, as mesmas ONGs que se reuniram para me lançar vereadora. Sei que tenho essa grande responsabilidade para com eles e sobretudo com os animais, e prometo não decepcionar. Estamos aqui por uma causa nobre. Não é possível existir felicidade numa cidade cujos cidadãos não cuidem de seus animais”.

04 julho, 2012

UMA CULTURA QUE NÃO INTERESSA A NINGUÉM

Wagner Ferreira

Ao longo da história, a sociedade se habituou em se divertir com o sofrimento de outros seres, inclusive com o do ser humano. A cultura do pão e circo, que existiu – e ainda existe, mas com outra formatação – nos países de influência helênica, promovia a morte de escravos e prisioneiros de guerra, que eram entregues às feras. O Banquete sangrento era completado com a distribuição de pão à débil platéia. 

Na contemporaneidade, sob a justificativa da tradição e cultura, ainda aceitamos que circos explorem animais adestrados com os métodos mais cruéis possíveis. Em 2010, a juíza Ana Barbuda acatou o pedido do promotor de justiça Heron Gordilho e das ONGs de proteção animal: Terra Verde Viva e Célula Mãe, e determinou, por meio de liminar, a remoção dos animais do circo Portugal, que se encontrava instalado no bairro de Cajazeira X. 

Uma outra prática advogada pela tradição é a mutilação do órgão genital da mulher, mais conhecida como Mutilação Genital Feminina (MGF), na qual são submetidas meninas com idades entre 4 e 8 anos, jovens e mulheres adultas. 

A prática é realizada em mais de 30 países do nordeste, leste e oeste do continente africano. Cerca de 18 destes já consideram e classificam a MGF como crime. No entanto, mesmo tendo um instrumento legal sobre esta tradição, isso não impede que a sua prática ocorra, principalmente, de forma clandestina.
Nesses países, quem se manifestar contra a mutilação é acusado de opor-se às tradições ancestrais e aos valores familiares, tribais e religiosos, além de rejeitar o seu próprio povo e sua identidade cultural.

Voltando à Bahia, terra de tantas tradições, fazendo as devidas ressalvas, não é diferente. Durante os festejos do 2 de Julho do ano passado, a Terra Verde Viva produziu um documentário intitulado “Salve o 2 de Julho e os Animais” - disponível no Youtube - onde são mostradas imagens do abuso imposto pelos tradicionais Encourados, do município de Pedrão na Bahia. São vaqueiros que vêm todos os anos ao cortejo representar àqueles que lutaram na batalha que definiu a Independência da Bahia.

Resultado do uso da brid durante a montaria (divulgação)
No vídeo, animais estressados ameaçam os participantes do cortejo; sem ferradura, escorregam nas pedras portuguesas, são chicoteados e furados por chuços e esporas com frequência por aqueles que deveriam zelar pela sua integridade física, afinal, segundo o prefeito de Pedrão, “o vaqueiro sem o cavalo não é vaqueiro; ele ama o seu animal”. Mas que amor é esse? Amor que agride, derrama sangue? Difícil de entender esta relação, a não ser que a mesma seja cunhada no sadismo. 

Outro exemplo desse “amor” é o descaso que vem sofrendo os jumentos do interior do nordeste do Brasil. Esses animais que ajudaram tanto o homem do campo a superar a seca; carregando tonéis de água, leite, e o próprio agricultor no lombo, vêm sendo descartados de forma irresponsável em beira de estradas, inclusive de BRs. Tal atitude, além de desumana, é irresponsável, por causar risco de acidentes graves aos motoristas. 

É desta forma que o bicho homem costuma reconhecer quem sempre esteve à sua disposição. Se não fosse pela devoção de alguns abnegados, que como vigilantes incansáveis amparam, na maioria das vezes com recursos próprios, e denunciam os abusos a esses seres - apesar de a lei ainda não punir o infrator como deveria - eu teria vergonha de pertencer a raça humana.

E se não bastasse a insensibilidade de muitos que, por falta de informação, ou de evolução intelectual e espiritual ignoram o problema, ainda vem a público aqueles que se julgam defensores da história e das manifestações culturais e com seus olhares viciados corroboram com a manutenção de culturas que causam danos à vida. Nenhuma manifestação cultural deve ser mais importante que o respeito à vida, de todas as formas que ela se manifeste. Muito menos para fins de divertimento humano ou o seu conforto. Não somos seres superiores e provamos isso todos os dias destruindo o ambiente que é vital à nossa sobrevivência.  

Cavalos selvagens (reprodução)
O sofrimento que impomos na atualidade aos animais é o mesmo que acontecia com os negros durante a escravidão. A quem defenda que a escravidão foi uma alternativa barata para os países explorarem a mão de obra humana, e foi, mas com o passar dos anos a prática entrou no cotidiano das pessoas, e passou a ser cultural. E até hoje causa danos irreversíveis aos negros e ao país. Eles eram ignorados não só por aqueles que se beneficiavam diretamente com a situação, mas também pelos menos insensíveis, que viam o homem e a mulher negra como hoje são vistos os bichos, subjugados e marcados a ferro pelo seu senhor. 

Enquanto formadores de opinião insistirem em perpetuar qualquer tipo de exploração, antes do homem pelo homem, hoje deste sobre o animal, continuaremos a sofrer as consequências disso por meio de tragédias humanas. Se continuarmos a nos comportar feitos verdadeiros animais selvagens, aplaudindo os mesmos erros dos nossos antepassados, sob a égide da cultura e da tradição acima de qualquer coisa, continuaremos vivendo o sonho utópico de um dia viver em um mundo melhor e mais humano, se é que a palavra humano é mesmo uma coisa boa.

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